Mostrando postagens com marcador outros autores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outros autores. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exactamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Li, Gostei e Copiei

Poema Futurista

É domingo: folga. -O dia todo em casa.
Acordo...Ar puro, liberdade.
Televisão, telefone sem fio, computador.
Ah! Liberdade...O mundo bem pertinho.

Não!? O computador não ligou,
O telefone está mudo. Liga televisão, liga! Vai!
Faltou luz, faltou energia, não há eletricidade.
Estou só: há um silêncio.

O computador está em silêncio.
A televisão está em silêncio.
O telefone está em silêncio.
O que fazer? Aonde ir?

Não sei conversar.
Sei digitar, clicar, ligar.

Uma caminhada para passar o tempo, quem sabe?
Ah! A esteira funciona a energia.
Caminhar lá fora é perigoso, tem pessoas.
Pessoas de verdade, de carne: elas desejam mal!

Que falta de ar, de energia, de ar...Estou morrendo.
Ando pra cá, pra lá. Que agonia, estou sufocado.
Estou fraco, morrendo, morren...morr...mo...

A luz acendeu! Há barulho: músicas lá fora.
A televisão liga... O computador liga...A vida continua.

Por Isaac Sabino

sábado, 26 de abril de 2008

O verbo no Infinito

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar

Um dia à luz e ver, ao mundo e
começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver

E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer de tudo ao vir um novo amor

E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito…

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 3 de março de 2008

A dor-de-cotovelo em tempos do Orkut

O texto não é meu, mas achei divertido!

A dor-de-cotovelo está morrendo. Ou ganhando uma brevidade, uma efemeridade, digna dos tempos da tal pós-modernidade (se alguém ainda sacar o que é isto, por favor, cartas para a redação –ops, nem redações existem mais…).
Ah, mas não sou oráculo nem Paulo Coelho (muito menos o Arnaldo Jabor), então não sei se isso é bom ou ruim. Talvez a gente descubra as conseqüências tarde demais. Talvez as conseqüências transformem o mundo no Paraíso (com maçãs, mas sem cobras, por favor). Fato irrefutável: finalmente o planeta será destruído, ou melhor, comandado, por uma geração criada na dor-de-cotovelo virtual. A turma dos amores cibernéticos está chegando.
Para quem não se lembra, há muuuuiiiitoooo tempo (uns três anos, mais ou menos), as pessoas terminavam seus namoros, casinhos, romances, casamentos e relacionamentos doentios e sofriam por uma infinidade de dias (certo, em alguns casos, o negócio todo durava minutos, mas aí não entram na minha estatística).
Mas a graça da história era o sofrimento pós-romance. E mais: a dor-de-cotovelo era um grande barato. Sério. Você ficava lá, tristonho e remoendo uma raiva represada. Não importava se você é quem tinha dado um suave pé na traseira da pequena. Ou se tinha levado um coice. A sensação era a mesma: rancor pelo tempo perdido. Você queria ficar em paz, esquecer a sirigaita, desprezar o passado e JAMAIS (vocês que estão dormindo, prestem atenção porque este é um momento capital da crônica) OUVIR O NOME DAQUELA VAGABUNDA (geralmente os termos fortes –e injustos- afloram neste trecho).
Assim, partia para resgatar planos esquecidos, voltava a estudar, pensava em mudar o mundo, andava sem rumo, tomava cerveja gelada sozinho num bar antes despercebido, descobria que seus pais estavam vivos e moravam na mesma casa que você etc.
Então, um belo dia, ao caminhar pelo bosque, você encontra a ex com outro (geralmente o seu oposto). E descobre que ela está feliz. E os dois te olham com cara de “putz, o sujeito está um trapo”… E o resto da melodia vem naturalmente.
Sim, você também já fez uma farra com as companheiras da ex, bebeu vodca batida com amoníaco, chamou umas amigas para curtirem um final de semana na praia… E daí? Nada disso impedia a dor de cotovelo e a surpresa ao descobrir o paradeiro do ex-amor.
E agora? Em tempos de Orkut, a dor-de-cotovelo atinge o nível 0 da Escala de Sofrimento Amoroso, desenvolvido na Califórnia. Não dá tempo, caramba! Eis o ciclo completo de um “Amores Perdidus” hoje:
- 19h30 – fim do relacionamento;- 19h31 – casais se despedem;- 19h32 – você muda seu perfil no Orkut;- 19h33 – alguém envia uma mensagem dando parabéns pela decisão;- 19h34 – alguém manda uma mensagem dizendo que sempre foi apaixonada por você;- 19h35 – alguém te convida para um encontro;- 19h36 – você topa;- 19h37 – a ex checa o seu perfil, descobre que você já está sendo assediado, chora por 12 segundos e parte para o ataque;- 19h38 – a ex muda o próprio perfil no Orkut;- 19h39 – seu melhor amigo chama a ex para sair.- 19h40 – antes de sair para ficar com a menina que te convidou para assistir a um show, você passa pelo perfil da sua ex e descobre que ela nem esperou o corpo esfriar. Então, dá um soco na mesa, grita “sua vagabunda” e desliga o computador.
Já vi casos mais rápidos que este. Inclusive tenho um amigo que se apresenta como “detetive do Orkut”. Se quiser, ele encontra quem você pedir e te dá as coordenadas. É o fim definitivo da dor-de-cotovelo infinita, daquele conforto por desconhecer o paradeiro do ex-amor.
Para fechar a tese, graças ao Orkut, os emos fazem tanto sucesso (e têm essas caras que evocam o passado e os Smiths). Eles acreditam na dor-de-cotovelo, no sofrimento, no esquecimento lento e gradual de uma paixão.
Por quê? Ora, minhas amadas leitoras e queridos amigos… Muitas vezes, o “não saber” e a dúvida alimentam a alma de um desenganado e podem transformar a miséria em poesia. Mas, tudo isso exige um certo tempo, pô.

(por: Careca- site:http://machoperonomucho.uol.com.br )

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"[...]uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso."

Clarice Lispector

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Google

Achei esse texto em outro blog, que parece ter sido extraido de um e-mail. É bem grande,mas muito interessante.

Será que eles estão certos?

Stacy Sullivan, primeira gerente de recursos humanos da Google, lembra da primeira vez que os fundadores da empresa a fizeram quebrar um paradigma. No seu segundo dia de trabalho, no final de 1999, Page e Brin - fundadores da Google - apareceram em seu escritório com a sugestão de transformar a sala de reuniões em uma creche para cuidar dos filhos dos funcionários.
Sullivan ficou horrorizada com a idéia de quebrar tudo na sala de reuniões.
A idéia parecia "não apropriada" para um ambiente de trabalho corporativo.Além disso, somados TODOS os filhos de TODOS os funcionários da Google naquela época, você chegava ao incrível número de 2.
"Depois que eu expus todos os argumentos que eu conhecia, Page e Brin olharam para mim e disseram,- Legal, mas por que não podemos transformar a sala de reunião em umacreche?'".
Com esse ESPÍRITO quebra tudo, a Google acaba de ser escolhida - primeira de muitas futuras vezes- O MELHOR LUGAR PARA SE TRABALHAR NOS EUA!!Ou seria melhor dizer, O MELHOR LUGAR PARA SE VIVER NOS EUA?
Comida não falta. Sergey Brin, fundador da Google, acredita que o funcionário da empresa não pode trabalhar distante mais que 150 metros de uma boa cafeteira repleta de comes e bebes saudáveis.
Dito e feito.Sujou a roupa?Leva para o escritório!A lavanderia da Google fica aberta 24 horas.
Tá precisando trocar o óleo do carro? Enquanto trabalha, a oficina da Google dá um tapa no carango. Se estiver sujo, o lava carros da Google dá o toque final.
O verão tá chegando e você quer entrar no shape? Dá uma passada na big huge academia de malhação da Google.
Tá faltando motivação para malhar? O Google subsidia o personal trainer.
Tá estressado? Passa na sala de massagem do escritório. Já domina o inglês? Inscreva-se nas aulas de Mandarin, Japonês, Espanhol e Francês.
Chegou o dia de comemorar o aniversário de casamento com a patroa? Aequipe de concierge da Google faz a reserva para o jantar no melhorrestaurante da cidade.
Quer comprar um carro novo? Se escolher um carro híbrido, a Google te dáUS$ 5 mil doletas para comprar o carro.
Você conhece algum amigo que se encaixa naquela posição recém aberta na Google? Se a companhia fechar negócio com o cidadão, o googleniano leva 2 mil dólares para casa.
Nasceu o filhote? PARABÉNS! A Google te dá 500 dólares para bancar osgastos extras com o pimpolho nas primeiras quatro semanas.
Sente-se sozinho edeseja fazer novas amizades? Compareça as festas TGIF (Thanks God ItsFriday!) onde o networking rola solto.
Tá cansado de dirigir até o escritório da Google?Sem problemas, o ônibus da empresa pega você em uma das dezenas deparadas pela cidade.Ops, não viu nenhuma novidade nesse benefício?E se eu te disser que todos os ônibus da Google são equipados com redesem fio wireless para você se conectar a web no caminho para o escritório?Melhorou?
E tem mais, cada um dos 10 mil funcionários da Google tem direito a:
* Ficou doente, fica em casa. O funcionário tem "sick days unlimited".
* Passeio anual grátis em estacão de ski, todas as despesas pagas..
* Fantástica Série de Palestras semanais com FAMOSAS e RELEVANTESpersonalidades.
* Comida grátis.
* Equipe grátis de médicos residentes.
* Piscina, quadra de vôlei, paredes para escalar, scooters e mídiacenters.
* 20% do tempo de trabalho livre para se dedicar a projetos FORA DOTRABALHO.A Google oferece tantos benefícios aos googlenianos, que o difícil não étrazer o funcionário para o trabalho, mas mandá-lo embora para casa.

A turma simplesmente não tem motivos para ir embora!Até quem não trabalha na Google quer conhecer a organização por dentro. Mikhail Gorbachev, Margaret Thatcher e Muhammad Yunus são algumas dascelebridades que passaram por lá recentemente para aprender alguma coisa.

"A Google não é uma empresa convencional. Nós não temos nenhuma intenção de sermos uma!"

Primeiro parágrafo da lendária carta assinada por Page e Brin distribuída para os potenciais acionistas da Google pouco antesde abrir o capital da empresa em 2004.
Fazer esportes, assistir a palestras interessantes, ter acesso 24x7 ainternet, comida saudável a qualquer hora do dia, ajuda para resolver com tranqüilidade os pequenos grandes problemas da vida (lavar roupa ecarro,melhorar de um resfriado ou cuidar dos filhos, conhecer novas pessoas) existem por um único motivo: ATRAIR E RETER OS MAIS INTERESSANTES SERES HUMANOS DO PLANETA. Seres Humanos que querem mudar o mundo, não amadores que procuram por uma boa teta para mamar.
A Google não é um clube de campo paizão. Eles não estão relaxados. Eles querem mudar o mundo, "Organizar, disponibilizar e tornar útil toda ainformação disponível no mundo".
A turma da Google não vive para escrever códigos ou vender links patrocinados, eles tem uma causa e estão com pressa.
A Google oferece benefícios para provocar o SENSO DE URGÊNCIA e não acomplacência nas pessoas.
Cada benefício é escolhido a dedo para estimular a mente criativa de todos nós.
Esse espírito quebra tudo da Google atraiu muito talento e muito dinheiro nos últimos anos. Hoje, dinheiro não é problema para a Google.Com apenas 8 anos de idade, a empresa fatura mais de 10 bilhões de dólarespor ano.
O valor de uma única ação ultrapassa 483 dólares!!!!
Eles tem mais de 10 bilhões de doletas na poupança para investir, comprar, reformar,inventar o que quiserem!!!! Eles têm todo o dinheiro do mundo para compraro maior e mais confortável escritório do planeta, entretanto, osfuncionários da Google trabalham "apertados" em cubículos próximos uns dos outros, simulando o permanente ambiente de sala de estudo de faculdade onde os fundadores começaram a empresa.A indústria de tecnologia é privilegiada.

Talvez por ser uma indústria jovem, liderada por pessoas jovens (Bill Gates e Steve Jobs) - muitas vezes sem nenhuma experiência em mega corporações regradas e engessadas -,que negam, renegam e desprezam as regras medíocres do mundo corporativo que CASTRAM a criatividade do SER HUMANO.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Ter ou não ter namorado, eis a questão

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.



(Atribuído a Carlos Drummond de Andrade,mas é de Artur da Távola )

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por levarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças evitando desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalhado.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saírem como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende de mim.

(autor desconhecido)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

­­­"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento. Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta."

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Para Viver Um Grande Amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

(Vinícius de Moraes)